Sobre “famosas sem make”

Essas fotos da Juliana Paes, sem maquiagem no seu aniversário, me fizeram pensar sobre isso.

Não vou fingir que sou santa nem nada disso: adoro olhar celebridade sem maquiagem pra me sentir menos baranga. Sei o poder que os itens certos fazem pelo rosto de qualquer mulher, e não só pra esconder manchas, acne ou realçar olhar. Sei que uma boa maquiagem ajuda a ajeitar o tamanho do nariz, a distância entre os olhos, o bochechão. E, óbvio, adoro ver gente perfeita sem as cápsulas de Photoshop, pra ver que elas, como eu, também tiveram espinhas na adolescência e esqueceram do filtro solar.

Duh, eu sou normal.

O caso nem é esse. Sempre que vejo essa moçada – ou nem tão moçada assim – de cara lavada, a única coisa que me vem à cabeça é isso: eu sou normal. O incômodo com as fotos da Juliana Paes foi outro: o povo dizendo que ela, e todas ascelebsque já apareceram sem maquiagem por aí, é “feia como o diabo”. Só porque, meu Deus que crime, ela não tem pele de cera. E tem os olhos meio esbugalhados, sei lá. E tanto faz se o autor do comentário é uma “baranga invejosa” rindo seu despeito ao ver que dona Juliana tem corpão, sim, mas se o rosto é daquele jeito, com certeza na bunda tem celulite, ou se é um senhor de meia idade que se sente melhor de pensar que nunca vai “ter” o corpão de dona Juliana, mas nem queria mesmo porque ela é “muito feia”.

É como se não existisse nenhuma linha que separasse o “absurda, insana e impossivelmente perfeito” do “cruzes, que feio”. Não existe mais comum, simples assim.

O nosso maior problema nisso tudo é, dum modo geral, não enxergar o que ~~continuamos fazendo~~ com nós mesmas. Alguém tem lá todo o trabalho de mostrar uma moça sem maquiagem pra enxergármos como, mesmo vivendo pra ser linda, ela também tem pequenos defeitos. E mesmo assim achamos a fulana linda. Aí nós olhamos e, ao invés de pensarmos que, puxa, ela é linda mesmo e sabe valorizar o que tem com uma ajudinha de cosméticos e tecnologia, pensamos que, nossa, ela é horrorosa e maquiagem faz milagre.

A ideia primeira era que olhássemos e nos valorizássemos. O que acontece é que olhamos e, além de continuarmos nos desvalorizando, desvalorizamos também aquelas que valorizamos. E, ao invés de entendermos que todos somos bonitos e que todos podemos, ainda que eu seja contra isso, ser perfeitos, entendemos é que todo mundo é mesmo muito feio.

E eternamente tudo o que a gente mostrar é que só faz mesmo é cavar nossa insatisfação eterna em sermos o que somos, de fatos: humanos, e só isso.

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Sobre Ana

Aquela que ainda não deu certo nem lá nem cá, mas no meio de tudo ainda faz da internet uma Penseira.
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