Essa vitória ou coisa que o valha

Tava eu serelepando por essa segunda casa que é a internet (eu disse segunda? Perdão. Por essa minha casa que é a internet) e por acaso vi que o Dance of Days toca aqui dia 22 agora. Não que eu tenha qualquer pretensão de ir ao show (tive nos primeiros três minutos, mas depois passou), até porque acho que perdi a paciência e passei do ponto desses shows muito… adolescentes.

Só que aí uma coisa vem com a outra e me dei conta que, sei lá, não tenho datas precisas, mas certamente faz uns 10 anos que fui ao primeiro show do DoD na vida (depois devo ter visto mais uns 5). Eu tinha 14, 15 anos, veja bem, aqueles tempos que realmente meus passos não diziam absolutamente nada. Não que seja alguma coisa realmente importante, mas é engraçado pensar no quanto uma banda que você conheceu por acaso lá no começo do Ensino Médio e que foi sua banda favorita por todo o Ensino Médio de repente já marcou e fez parte de tantas fases que somam quase metade da sua vida – e é mais engraçado ainda porque eu nunca deixei de gostar ~genuinamente~ do DoD, como aconteceu com Fistt, Sugar Kane e umas mil bandinhas daquelas épocas, que hoje só gosto mesmo pela nostalgia, e continuei acompanhando, ainda que de longe, todo o trabalho feito (e não abandonei nem depois daquela porcaria que foi A Dança das Estações, veja bem).

É que aí a gente começa a lembrar de todas as coisas que passaram e que tiveram a mesma banda, nem sempre as mesmas músicas, como trilha sonora. O dia que aquela amiga de longe mas sempre uma das mais queridas ligou pra falar sobre “Tijolos Amarelos” e o dia que você e seu grupinho de amigas do Ensino Médio se deu conta que “Se essas paredes falassem” era o nome de um filme sobre homossexualidade, daí “onde Marte ama Marte e Vênus pode passear de mãos dadas com Vênus sem se preocupar” (se não me engano, aqui o nome do filme é “O Preço de uma Escolha”). O dia que seu então melhor amigo diz jubilante que descobriu quem é “Caulfield” da música e que conseguiu “O Apanhador no Campo de Centeio” pra ler, e como você se apaixonou e detestou Holden Caulfield com a mesma intensidade. E quando você ganhou “A Metamorfose” desse mesmo amigo e depois ficou feliz da vida porque reconheceu a referência de “Quem Vai Limpar o Quarto de Gregor Samsa” antes de precisar procurar por ela (PAUSA DRAMÁTICA: acabei de entender porque sempre escrevo o nome da Sansa Stark com M). E também todas as vezes que você olhou pra “Revolução dos Bichos” e cantarolou sobre os porcos tomarem a casa dos senhores, e toda vez que olhou pra “1984” e pensou que “não encontrou recados nem mensagens pra fugir outra vez”, e se deu conta da bagagem cultural que adquiriu na sua besteira adolescente. E como “Coração de Tróia” só teve valor mesmo foi na faculdade.

O negócio é que nessa época toda que minha música tinha trilha sonora, eu achava que as coisas seriam muito piores pra mim do que realmente foram. A emuxice de final de ano me fez pensar nessas coisas e pensar em “tanto tempo assim acompanhando uma banda só pô” me fez nostálgica, então dá pra aproveitar o momento pra essa mini-reflexão.
Nem sei há quantos anos não faço essa retrospectiva de final de ano. Mesmo esse, que foi um ano de coisas ótimas, vai passar sem.

Em parte porque tenho preguiça, e em parte porque não tenho vontade de ir pro passado se o presente tá tão bacana (e talvez pela primeira vez diga isso sinceramente).

Então encerro daquele jeito que esperei 10 anos pra poder usar esse trecho num contexto em que fosse verdadeiro, e aqui está:

“Brindamos mil paixões e dançaremos
Porque hoje o sol nasceu
Declarando o fim dessas lágrimas
E eu vou jogar aos céus meus braços
E não olhar mais pra trás!”

Faltou coesão, faltou coerência, faltou progressão, faltou muita coisa nesse texto. Mas não tem problema.

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Sobre Ana

Aquela que ainda não deu certo nem lá nem cá, mas no meio de tudo ainda faz da internet uma Penseira.
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