Um textão em dois (quase três) atos

Primeira parte – queria fazer um comentariozinho não-solicitado: 2014 terminou e 2015 começou com MAIS UM CASO de revenge porn e até aí nada de novo sob o sol (infelizmente). Muitos otários achando que a vagabunda merece ser exposta porque quem mandou gostar de sexo e se deixar filmar, né? Pra alguns homens, mulher só pode gostar de sexo se for com ele, do jeito dele, atendendo a todos os fetiches dele, e é uma puta duma biscate piranhuda se de alguma maneira não for exatamente como ele quis (inclusive se não quiser dar pra ele, oras, onde já se viu não ceder). Enfim, nada de novo mesmo. Só que aí a galera tá cada vez mais linda e mais mobilizada, aparentemente (ou eu é que frequento os lugares certos da internet) e mddc como aparecem prints de ominho de merda sendo ominho de merda, julgando, apontando dedo, fazendo o que sabem fazer de melhor, enfim. E mddc como aparecem ominhos de merda falando “tira, não gostei de você ter mostrado meu rosto”.

Gente. Pra ominho que curte “lógica feminista” e se acha DEUS DA VERDADE E DA RAZÃO quando vê as publicações da page (que muitas vezes são bem “???”), falta lógica na vida de vocês. Por exemplo quando acham que tá certo expor alguma menina, divulgar inclusive página de facebook, por algo que ela fez na intimidade e vazou, mas acham MEU DEUS MUITO CRIMINOSO que páginas de apoio a essa vítima (sim, vítima) divulguem coisas que eles disseram em páginas abertas de redes sociais, usando os próprios nomes. Os caras dão tiros nos próprios pés e depois acham ruim. É muita merdice pra pouco ominho. Pra 2015, meus mais sinceros votos pra essa gente que fique CADA VEZ MAIS IMPOSSÍVEL encontrar uma mulher de respeito. Tomara mesmo que até o fim do ano eles estejam chorando muito no facebook que só cruzam com puta e vagabunda.

Porque isso significa que cada vez mais mulheres estão empoderadas e livres.

((sei que tem moça que concorda com esses caras, mas pra elas só desejo amor, mesmo, e que nunca cruze com um desses na vida porque ninguém precisa passar por relacionamento abusivo travestido de amor e segurança, não))

Segunda parte – faz tempo que acho que internet e militância combinam muito, ainda mais nessas pequenas coisas que são muito culturais e internalizadas. Discurso também é ação e, uai, o discurso também funciona na internet. Me incomoda um bocado, HÁ TEMPOS, esse papo de “você deveria estar fazendo alguma coisa de útil ao invés de só ficar reclamando no computador”, porque, muitas vezes e pra determinadas coisas, só “ficar reclamando no computador” é um negócio que surte um puta de um efeito na vida de muita gente.

Eu sei disso porque surtiu na minha. Eu conheci feminismo pela internet, eu conheci toda essa onda de body positive pela internet, eu ouvi falar sobre gordofobia como um termo real pela primeira vez na internet (eu mesma falava muito em “gordofobia” nos primeiros anos de faculdade, mas jurava pela deusa que era um neologismo meio patético que só eu usava). E não só aprendi muito com tudo isso na teoria pela internet, lendo blogs maravilhosos, tendo acesso a pessoas incríveis, como transferi muito pra minha vivência.

Em 2002, 2003, eu era adolescente, pesava 30kg menos do que peso hoje e ia à praia e não tirava a roupa. Dizia que era porque o sol podia me queimar, sei lá, mas era porque tinha vergonha da minha barriga e das minhas coxas. Em 2009, eu só usava calça de malha, legging ou vestido pra baixo do joelho, porque, com 20kg a menos do que tenho hoje, eu achava que comprar roupa não era um exercício pra gente gorda e eu merecia um pouco vestir só o que coubesse, já que eu “provoquei” aquilo.

Hoje eu tenho estrias na barriga, nas coxas, nos braços e usei meu primeiro biquíni. Hoje eu visto 52 e não uso, de jeito nenhum, a roupa “que me serviu” só porque coube em mim se não gostei de como vestiu meu corpo. E, sim senhores, foi graças à internet. Foi lendo blogueira feminista, blogueira que escreve sobre body positive, blogueira de moda plus size. E o primeiro passo pra isso veio lá do Lugar de Mulher, quando vi a Polly escrevendo que a gente precisa se cercar de “referências positivas”.

Então é claro que não acho que ficar “reclamando na internet” vá fazer preço de passagem baixar ou vá ajudar todos as pessoas que passam fome e são invisíveis pro resto do mundo. Mas existem coisas que mudam. Por isso ninguém deve parar. Eu é que não vou. Eu sei que eu já atingi também algumas pessoas, então não vou parar =)

A terceira parte é só uma partezinha – em 2015 vou tentar transferir todos os meus possíveis textões de facebook pra cá. Ninguém lê, mas deixa a rede social só pra foto de gatinho porque o povo lá é muito chato quando quer.

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Sobre Ana

Aquela que ainda não deu certo nem lá nem cá, mas no meio de tudo ainda faz da internet uma Penseira.
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